Questionar a escolha de Ronda Rousey de trocar o UFC pela WWE é de um egoísmo sem tamanho

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Quando Ronda Rousey entra com “Bad Reputation” nos ringues da WWE, não é por acaso. Ela precisou criar uma armadura forte para conseguir sobreviver às imposições que a vida apresentou ao longo de toda a sua existência. Ver uma Ronda feliz e sorrindo a toa após uma vitória, pode parecer bobo, mas, acredite, é uma conquista.

Ronda é filha de AnnMaria De Mars, a primeira mulher americana a ganhar uma medalha de ouro em um Mundial de Judô. Este já foi o primeiro desafio na vida de Ronda Rousey. Sua mãe era exigente e queria ver a filha com uma carreira ainda melhor que a sua. A menina, com poucos anos de idade, já criou aversão à luta, por conta deste cenário.

Ainda criança, Ronda viu seu pai e melhor amigo ficar paraplégico, após um acidente de ski. Em seguida, ele cometeu o suicídio. Uma bomba, para uma criança de apenas 8 anos de idade.

Ela precisou crescer com este peso, sem jamais largar o judô. Foram diversos torneios pelo mundo em busca da perfeição. Em casa, problemas familiares também surgiam aos montes, mas sempre com uma reaproximação posterior.

Em 2004, Ronda conseguiu se classificar para as Olimpíadas com apenas 17 anos, a mais jovem a participar de um torneio de judô. Os resultados começaram a vir apenas em 2007, no Pan do Rio, onde foi medalha de ouro, batendo Mayra Aguiar. Em 2008, a expectativa estava enorme, mas a cor da medalha foi bronze. Ainda sim, um grande feito, visto que o judô não era popular nos Estados Unidos e este era o melhor resultado de uma mulher norte-americana na competição.

Ronda nunca viveu seu sonho no judô. Ela queria mais. Começou a treinar MMA por conta. Ninguém queria dar aulas. Seu técnico e protetor no UFC, Edmond Tarvedyan, se recusava, na época, a treinar uma mulher. A mãe da lutadora era totalmente contra esta mudança.

Mas ela bancou tudo isso. Convenceu o técnico após exaustivos treinos e conseguiu iniciar a sua carreira, contra a vontade da mãe. Foi campeã no Strikeforce e ouviu de Dana White que uma mulher nunca lutaria no UFC. Mais uma barreira rompida. O clamor popular e as atuações de Ronda convenceram o chefão do Ultimate do contrário.

Logo ela ganhou de todo mundo e se tornou o principal nome da organização. O preconceito sempre esteve presente, é claro, mas sempre calado por boas lutas e finalizações arrasadoras.

Aí veio a derrota.

Ronda sempre foi competitiva por natureza e por tudo que aqui foi citado. Ela não estava preparada para perder. Mas, perdeu. Ronda sumiu da mídia e só depois veio a revelação de que ela pensou, inclusive, no suicídio, tamanha a cobrança que tinha sobre sua carreira e a enxurrada de críticas que recebeu.

Uma nova tentativa de recuperar o seu cinturão e uma nova derrota.

Bastou.

Uma nova era

Ronda nunca se aposentou oficialmente do UFC. Mas, o passar do tempo mostrava uma pessoa cada vez mais decidida a dar um novo rumo na sua carreira. A WWE sempre apareceu como uma possibilidade. Em sua biografia, Ronda conta que seu primeiro armlock foi em um boneco de pelúcia de Hulk Hogan, logo quando criança.

Quando ela apareceu no Royal Rumble, as críticas dos especialistas e fãs do UFC vieram como um turbilhão. Mas, quem liga? Ronda estava feliz, plena de sua escolha e, isso, fala mais do que qualquer egoísmo de fã ou jornalista que via sua maior estrela trocar de organização.

Eles nunca vão aceitar. Nem precisam. Ronda está trabalhando com pessoas que gosta. O corte de peso, que é um pesadelo para os lutadores, não é mais um fantasma. Os fãs não cobram mais do que ela pode dar. Sua família está perto e curtindo junto cada passo de sua carreira. E, além de tudo isso, ela está homenageando seu ídolo Roddy Piper.

Questionar a escolha de Ronda me parece uma atitude de quem não vê o ser humano que existe no atleta.

Beira a loucura questionar a mulher que precisou viver com tantas batalhas, inclusive consigo mesma, e agora sorri aos quatro ventos.

Para nós, fãs da WWE, fica a certeza de que ela será uma atleta de elite. E não tenho dúvidas desta afirmação, por acompanhar a carreira de Ronda e saber que ela não sabe ficar longe do alto nível, seja qual for o desafio que a vida coloca em sua frente.

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